ACEITANDO-SE PARA MUDAR
ACEITANDO-SE PARA MUDAR
Na visão psicanalítica
Na psicanálise, mudar não significa “corrigir defeitos”, mas transformar a relação que o sujeito tem consigo mesmo.
E essa transformação só começa quando a pessoa consegue aceitar-se — não como resignação, mas como reconhecimento.
1. O que é aceitar-se na psicanálise?
Aceitar-se é olhar para si sem tanta censura, permitindo que sentimentos, desejos e fragilidades venham à tona.
É suspender, mesmo que por instantes, a voz interna que acusa e proíbe.
Significa dizer:
“Isso faz parte de mim. Eu posso olhar para isso sem me destruir.”
O que é reconhecido pode ser transformado.
O que é negado, retorna como sintoma.
2. Por que aceitar-se é tão difícil?
A psicanálise mostra que todos carregamos:
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um Supereu crítico, que exige perfeição;
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partes reprimidas da personalidade;
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desejos que nos assustam;
-
feridas antigas que gostaríamos de esquecer.
Aceitar-se implica dar espaço para tudo isso — e isso causa angústia.
Por isso, muitas pessoas tentam mudar sem antes se ver, e acabam repetindo padrões.
3. Sem aceitação, não há mudança real
Quando o sujeito não se aceita, ele tenta mudar para:
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agradar,
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ser amado,
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não perder alguém,
-
corresponder a expectativas,
-
fugir da culpa ou da vergonha.
Mas mudanças motivadas pela culpa são instáveis.
Mudar para não ser rejeitado não é mudança — é obediência.
A verdadeira mudança exige apropriação do próprio desejo, não adaptação ao desejo do outro.
4. Aceitar-se é integrar partes negadas
A psicanálise entende que somos feitos de partes que tentamos esconder:
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impulsos,
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traços infantis,
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contradições,
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medos,
-
vulnerabilidades.
Ao acolher essas partes, o sujeito fica menos dividido internamente.
E quanto menos dividido, mais livre para transformar hábitos, escolhas e caminhos.
5. A mudança como consequência, não como meta
Na visão psicanalítica:
-
não mudamos porque “decidimos”;
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mudamos porque algo dentro de nós se reorganiza.
A aceitação produz essa reorganização.
Dá força ao Eu, reduz a tirania do Supereu e permite que o sujeito aja a partir do seu próprio desejo — não de suas defesas.
6. Aceitar-se é um ato de coragem
É encarar o que antes era evitado.
É reconhecer que há limites e, justamente por reconhecê-los, torná-los transformáveis.
A mudança nasce quando o sujeito se permite existir como é —
e, a partir daí, tornar-se quem pode ser.